Rocinha







A favela da Rocinha será palco de um evento diferente, com viés criativo e diverso. De 22 a 24 de janeiro acontece o Projeta Rocinha, que contará com projeções feitas no Morro Dois Irmãos, transformando-o em uma "tela" de cinema com dimensões espetaculares, equivalente a meio quilômetro ou cinco edifícios de 18 andares lado a lado. Desse modo, os organizadores irão exibir longas, curtas, clipes, intervenções poéticas e mensagens de saúde para garantir proteção contra a covid-19 para um público que pode chegar a 100 mil pessoas.

Durante esses três dias, a partir das 19h, os moradores poderão assistir às projeções de suas lajes e janelas e receberão o som dos conteúdos via streaming e com apoio da rádio comunitária local. Os organizadores ressaltam: sem aglomerações.

A iniciativa é da Dona Rosa Filmes, da produtora Mariana Marinho, e de Maurício Soca, morador e produtor cultural da Rocinha. A projeção está a cargo da Visual Farm, estúdio especializado que concebe e realiza espaços narrativos com uso intensivo de tecnologia. Artistas e integrantes da comunidade participaram ativamente da curadoria do evento.

O projeto vinha sendo discutido entre Mariana e Maurício com o objetivo de mostrar a força e a potência da maior favela da América Latina. Mas veio a pandemia e, com ela, o isolamento e a preocupação com a saúde dos moradores. O evento foi redefinido com a ideia de oferecer arte como respiro, abrindo o início do novo ano.

"O evento tem o caráter divertido de um festival, mas ao mesmo tempo é empoderador, dando força à cultura, às minorias, à geografia do local, às ações e aos movimentos culturais já existentes na favela. Os 100 mil moradores da Rocinha viverão a experiência de presenciar a projeção na maior tela de cinema já realizada, assistindo a conteúdos afirmativos que surgiram do vulcão de criatividade e atitude da própria Favela, a vida que reluz na Rocinha", explica Mariana, diretora e coordenadora-geral do Projeta Rocinha.

Os três longas que serão exibidos somam cerca de 14 milhões de espectadores. São: “Minha Mãe é uma Peça 3”, de Susana Garcia, que levou mais de nove milhões de pessoas ao cinema em 2019; “Fala sério, Mãe!”, de Pedro Vasconcelos, com as atrizes Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, baseado no livro da escritora Thalita Rebouças, e “Gonzaga: De pai para filho”, de Breno Silveira, ganhador do prêmio de melhor filme no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, e escolhido por representantes e artistas da comunidade, dialogando com a origem nordestina de grande parte dela.

Antes deles, curtas vão rechear a “tela” do Morro Dois Irmãos. Entre as produções selecionadas estão “Janelas Daqui”, de Luciano Vidigal, realizado durante a pandemia, abordando os impactos da covid-19; “A fábula da Vó Ita”, de Joyce Prado e Thalita Oshiro, que aborda a importância do cabelo crespo; “Alma Crespa”, de Paulo China e Rebecca Joviano, sobre o feminismo negro; “O Pião”, de Karina Mello, uma fábula sobre a perda, a saudade e o sentimento de amor; “Rã”, de Ana Flávia Cavalcanti e Julia Zakia, sobre união, afeto e coletividade; “Lé com Cré”, de Cassandra Reis, sobre “coisas de menino e menina” contadas por crianças, e “Como Ser Racista em 10 Passos”, de Isabela Ferreira, que confronta o racismo estrutural velado.

Já entre os clipes musicais que estão na programação os moradores poderão ver “Pra dizer adeus”, “Sonífera ilha” e “Enquanto houver sol”, dos Titãs; “De ontem”, de Liniker e os Caramelows; “Náufrago”, de Majur; “Fica em casa”, de Marília Coelho; e “Who’s that boy?” e “Te ligo e vc não atende”, de Luthuly.

O projeto tem patrocínio da Cerveja Antarctica e apoios da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Riofilme, Downtown Filmes, Casa de Cultura da Rocinha, Associação de Moradores da Rocinha, do Portal das Favelas, da 27ª Região Administrativa da Rocinha e da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Rádio Comunitária da Rocinha, dos Coletivos Produções Audiovisuais Rocywood e Mulheres em Evidência e do Sicav (Sindicato da Indústria Audiovisual).

Projeta Rocinha tem ainda o apoio de artistas que têm relação com a comunidade como Gilberto Gil, Evandro Mesquita e Tony Belloto e Malu Mader, Dudu Azevedo, Babu Santana, Evandro Mesquita, Jonathan Azevedo, Danrley Ferreira, Cidinho ("Eu só quero é ser feliz"), Luthuli Ayodelle e Victor Sarro.

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